ROMANOS
Autor: Paulo
Data: 56 dC
SÍNTESE
Depois da saudação e da ação de graças, o apóstolo Paulo, referindo-se a um
texto do Antigo Testamento (Habacuque 2:4), apresenta o tema da epístola que
é a justificação pela fé.
Os três capítulos iniciais estabelecem o primeiro ponto principal: que todos os
homens são pecadores. Paulo começa por uma descrição da crassa idolatria e
imoralidade dos gentios; contudo, em virtude da revelação do poder de Deus
na natureza, e pelo testemunho de suas próprias consciências de que "são
dignos de morte os que tais coisas praticam", os gentios são considerados
responsáveis.
Ao mesmo tempo, os judeus são igualmente pecadores, muito embora sejam
eles objeto dos oráculos divinos. Os gentios pecaram sem lei - perecerão sem
lei, os judeus pecaram sob a lei - serão julgados pela lei. "Porque os que ouvem
a lei não são justos diante de Deus: mas os que praticam a lei hão de ser
justificados" 2:13.
Contudo, não há praticantes da lei, quer judeus quer gentios; porque "Não há
um justo, nem um sequer"(3:10). "Por isso nennhuma carne será justificada
diante dele"(3:20).
Portanto, se alguém vier a ser justificado, Deus mesmo terá de proporcionar
misericordiosamente a justiça necessária para a absolvição. Isto se efetua em
virtude de sacrifício propiciatório de Cristo. Seu sangue derramado satisfaz a
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justiça do Pai, de maneira que Deus pode ser justo e ao mesmo tempo
justificador daquele que tem fé em Jesus.
O capítulo 4, citando a Abraão como principal exemplo, explica mais
extensamente de que forma Deus atribui a justiça sem as obras. A seguir, o
capítulo 5 estabelece um paralelo entre Adão e Cristo. Todos aqueles a quem
Adão representava foram feitos pecadores por sua ofensa; todos quantos estão
em Cristo são feitos justos por sua obediência.
Em resposta à acusação de que a justificação pela fé estimula o pecado,
"Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?" (6:1), o apóstolo
Paulo explica que o crente sincero recorreu a Cristo a fim de escapar do
pecado. A justificação produz santificação, e essa luta pela santificação pessoal
(7:14-25) é prova de que escapamos à condenação. Portanto, em virtude do
amor imutável de Deus (8:39), podemos ter a segurança da salvação.
A justificação pela fé, a rejeição dos judeus e a inclusão dos gentios são
conseqüentes com as promessas de Deus a Israel. Tais promessas foram feitas
aos descendentes espirituais de Abrão. Deus escolheu a Isaque e rejeitou a
Ismael. Deus escolheu a Jacó e rejeitou a Esaú. Estas escolhas e exclusões são
inerentes às próprias promessas. A eleição de Deus é soberana. É como o oleiro
que fabrica vasos para determinados fins.
Contudo, chegará o dia quando, em geral, os judeus serão exertados de novo.
Em virtude destas misericórdias divinas, todo crente deve cumprir sua função
particular na igreja, com diligência e singeleza. De igual maneira, no país, todo
crente deve ser bom cidadão.
Finalmente, Paulo expressa a esperança de visitar Roma em sua viagem com
destino à Espanha, e termina a carta com saudações pessoais.
AUTOR
A epístola aos Romanos, a mais longa, a mais sistemática e a mais profunda de
todas as epístolas, e talvez o livro mais importante da Bíblia, foi escrita pelo
apóstolo Paulo (1:1, 5). Naquela ocasião ele se encontrava em Corinto (15:26;
16:1, 2). A cuidadosa composição da carta sugere que depois de algumas
experiências tempestuosas ali, desfrutou um período de tranqüilidade antes de
receber dinheiro de ajuda aos santos em Jerusalém. Isto situa a carta por volta
do ano 58 de nossa era. Diferentemente das demais epístolas, a dirigida aos
romanos foi escrita a uma igreja que ele nunca havia visitado (1:10, 11, 15).
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