I CORÍNTIOS
Autor: Paulo
Data: Cerca de 56 dC
SÍNTESE
A primeira epístola aos Coríntios não é apenas uma carta na qual o apóstolo
Paulo ministra conselhos e instrução sobre assuntos de importância da fé e do
comportamento cristão; também jorra luz reveladora sobre determinados
problemas com os quais se defronta uma jovem igreja não muito depois de sua
inauguração, na metade do primeiro século de nossa era. O apóstolo Paulo
havia levado a mensagem de Cristo à cidade de Corinto quando realizou sua
segunda viagem missionária. Esta cidade constituia um tremendo desafio ao
evangelho já por tratar-se de um grande centro cosmopolita de comércio do
mundo antigo, já por ser reconhecido centro de libertinagem e
desregramentos. Se a mensagem da cruz tinha poder para transformar a vida
de homens e mulheres de tal ambiente, então essa mensagem era realmente
poderosa. E foi precisamente isto que ocorreu. Além do mais, os membros
desta jovem igreja desfrutavam de uma variedade de dons espirituais, e esse
fato constituía confirmação tanto para eles como para o mundo, de que Deus se
achava presente manifestando-se poderosamente em seu meio.
Todavia, não transcorreu muito tempo sem que surgissem entre os crentes
graves erros de doutrina e de conduta; tais erros ameaçavam a vida mesma
daquela coletividade cristã. A primeira carta aos Coríntios destina-se à
correção desses erros. Em primeiro lugar, haviam surgido deploráveis divisões
na igreja; essas divisões se haviam transformado em partidos hostís, que
abalavam os próprios alicerces da unidade que deve vincular todos quantos se
dizem irmãos em Cristo. Em segundo lugar, um de seus membros era culpado
de grosseira imoralidade, um tipo de imoralidade que até mesmo aquela
sociedade licenciosa e dissoluta teria condenado; a despeito disso, a
congregação de crentes não havia disciplinado o ofensor nem o havia expulsado
da comunhão. Em terceiro lugar, os membros daquela coletividade cristã
denunciavam-se uns aos outros perante tribunais pagãos, aos quais recorriam
para solucionar pendências que surgiam entre eles, em vez de resolverem suas
dificuldades no espírito do amor cristão dentro da igreja, ou se disporem,
segundo o exemplo de Cristo, a sofrer o mal sem vingar-se. Em quarto lugar,
alguns haviam cometido atos imorais com prostitutas e procuraram justificar
tal comportamento afirmando que o corpo apenas estivera envolvido, e que os
atos do corpo não tinham conseqüencia. Em quinto lugar, a ceia do Senhor,
que deveria ter sido uma expressão de harmonia e amor, degenerara-se em ato
de irreverência, de glutonaria e de comportamento pouco caritativo. Em sexto
lugar, comportavam-se desordenadamente quando se reuniam para os cultos
públicos, especialmente no que respeita ao exercício dos dons espirituais com
os quais haviam sido dotados. Paulo julga necessário lembrar-lhes que o dom
do amor é o maior dos dons e o que mais deve ser buscado, fora do qual todos
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os demais dons estão destituídos de valor. Em sétimo lugar, insinuara-se na
igreja de Corinto um ensino herético que, negando a ressurrreição de Cristo e
igualmente a possibilidade de qualquer ressurreição, desferia um golpe severo
contra o fundamento mesmo da fé cristã. Todos estes assuntos, cada um deles
vergonhoso de per sí, recebem cuidadosa e urgente atenção nesta carta.
O apóstolo Paulo oferece também instrução sobre outras questões que os
coríntios haviam mencionando em carta que le enviaram. Tais questões podem
ser assim resumidas: Era aconselhável ao crente casar-se? Deve o marido ou a
esposa, depois de converter-se, continuar vivendo com um cônjuge inconverso?
Qual devia ser a atitude do crente quanto ao comer carne que anteriormente
havia sido oferecida em sacrifício a idolos? Devia a mulher cobrir a cabeça
quando assistia ao culto público? Qual o significado da variedade de dons
espirituais? Que medidas deveriam ser tomadas com respeito à coleta de
fundos para socorro aos crentes pobres de Jerusalém?
Seria erro imaginar que o conteúdo desta epístola se aplica somente a esta
situação particular da igreja do primeiro século em Corinto, porque, muito
embora as circunstâncias e a forma externa dos problemas da igreja variem de
época para época, em sua essência continuam sendo os mesmos, e os princípios
aqui lançados pelo apóstolo são aplicáveis a nosso tempo e situação, com tanta
eficácia como o foram naquele tempo.
AUTOR
A evidência interna e a externa mostam que o apóstolo Paulo foi o autor desta
epístola. Não é possível fixar com certeza a data em que foi escrita, mas
provavelmente o foi na primavera do ano 55, 56 ou 57. Naquele tempo o
apóstolo encontrava-se em Éfeso, durante o correr de sua terceira viagem
missionária.