I CORÍNTIOS

16/04/2011 00:58

 

Autor: Paulo

Data: Cerca de 56 dC

 

SÍNTESE

 

A primeira epístola aos Coríntios não é apenas uma carta na qual o apóstolo

Paulo ministra conselhos e instrução sobre assuntos de importância da fé e do

comportamento cristão; também jorra luz reveladora sobre determinados

problemas com os quais se defronta uma jovem igreja não muito depois de sua

inauguração, na metade do primeiro século de nossa era. O apóstolo Paulo

havia levado a mensagem de Cristo à cidade de Corinto quando realizou sua

segunda viagem missionária. Esta cidade constituia um tremendo desafio ao

evangelho já por tratar-se de um grande centro cosmopolita de comércio do

mundo antigo, já por ser reconhecido centro de libertinagem e

desregramentos. Se a mensagem da cruz tinha poder para transformar a vida

de homens e mulheres de tal ambiente, então essa mensagem era realmente

poderosa. E foi precisamente isto que ocorreu. Além do mais, os membros

desta jovem igreja desfrutavam de uma variedade de dons espirituais, e esse

fato constituía confirmação tanto para eles como para o mundo, de que Deus se

achava presente manifestando-se poderosamente em seu meio.

Todavia, não transcorreu muito tempo sem que surgissem entre os crentes

graves erros de doutrina e de conduta; tais erros ameaçavam a vida mesma

daquela coletividade cristã. A primeira carta aos Coríntios destina-se à

correção desses erros. Em primeiro lugar, haviam surgido deploráveis divisões

na igreja; essas divisões se haviam transformado em partidos hostís, que

abalavam os próprios alicerces da unidade que deve vincular todos quantos se

dizem irmãos em Cristo. Em segundo lugar, um de seus membros era culpado

de grosseira imoralidade, um tipo de imoralidade que até mesmo aquela

sociedade licenciosa e dissoluta teria condenado; a despeito disso, a

congregação de crentes não havia disciplinado o ofensor nem o havia expulsado

da comunhão. Em terceiro lugar, os membros daquela coletividade cristã

denunciavam-se uns aos outros perante tribunais pagãos, aos quais recorriam

para solucionar pendências que surgiam entre eles, em vez de resolverem suas

dificuldades no espírito do amor cristão dentro da igreja, ou se disporem,

segundo o exemplo de Cristo, a sofrer o mal sem vingar-se. Em quarto lugar,

alguns haviam cometido atos imorais com prostitutas e procuraram justificar

tal comportamento afirmando que o corpo apenas estivera envolvido, e que os

atos do corpo não tinham conseqüencia. Em quinto lugar, a ceia do Senhor,

que deveria ter sido uma expressão de harmonia e amor, degenerara-se em ato

de irreverência, de glutonaria e de comportamento pouco caritativo. Em sexto

lugar, comportavam-se desordenadamente quando se reuniam para os cultos

públicos, especialmente no que respeita ao exercício dos dons espirituais com

os quais haviam sido dotados. Paulo julga necessário lembrar-lhes que o dom

do amor é o maior dos dons e o que mais deve ser buscado, fora do qual todos

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os demais dons estão destituídos de valor. Em sétimo lugar, insinuara-se na

igreja de Corinto um ensino herético que, negando a ressurrreição de Cristo e

igualmente a possibilidade de qualquer ressurreição, desferia um golpe severo

contra o fundamento mesmo da fé cristã. Todos estes assuntos, cada um deles

vergonhoso de per sí, recebem cuidadosa e urgente atenção nesta carta.

O apóstolo Paulo oferece também instrução sobre outras questões que os

coríntios haviam mencionando em carta que le enviaram. Tais questões podem

ser assim resumidas: Era aconselhável ao crente casar-se? Deve o marido ou a

esposa, depois de converter-se, continuar vivendo com um cônjuge inconverso?

Qual devia ser a atitude do crente quanto ao comer carne que anteriormente

havia sido oferecida em sacrifício a idolos? Devia a mulher cobrir a cabeça

quando assistia ao culto público? Qual o significado da variedade de dons

espirituais? Que medidas deveriam ser tomadas com respeito à coleta de

fundos para socorro aos crentes pobres de Jerusalém?

Seria erro imaginar que o conteúdo desta epístola se aplica somente a esta

situação particular da igreja do primeiro século em Corinto, porque, muito

embora as circunstâncias e a forma externa dos problemas da igreja variem de

época para época, em sua essência continuam sendo os mesmos, e os princípios

aqui lançados pelo apóstolo são aplicáveis a nosso tempo e situação, com tanta

eficácia como o foram naquele tempo.

 

AUTOR

 

A evidência interna e a externa mostam que o apóstolo Paulo foi o autor desta

epístola. Não é possível fixar com certeza a data em que foi escrita, mas

provavelmente o foi na primavera do ano 55, 56 ou 57. Naquele tempo o

apóstolo encontrava-se em Éfeso, durante o correr de sua terceira viagem

missionária.